terça-feira, 24 de agosto de 2010

ELOGIO AO DELÍRIO-em prosa e verso

OBSERVAÇÃO:COLETÂNEA DE ESCRITOS, ENTREGUE E COMPARTILHADA,COMO EXIGÊNCIA DO TÉRMINO DE CURSO F.H.B.III, NA UNIPAZ,CAMPUS BRASÍLIA


DE:JERSEY MERRY W. DE MENDONÇA

-AOS QUE SE PERMITEM DELIRAR
-AOS QUE FICARAM PRESOS EM ALGUMA FASE DO SEU DESENVOLVIMENTO
PESSOAL
-AOS QUE ACREDITAM NA TRANSFORMAÇÃO DO SER
-AOS QUE ACREDITAM NO PROCESSO EVOLUTIVO
-AOS QUE ACREDITAM NA CURA


I


Ria.É carnaval
Tempo de ilusões
Falsa Alegria
Fantasias aos milhões:
Por fora,palhaço
Dentro chora, pierrô sem colombina.



Mulata-carnaval
Desnuda e mostra teu corpo
alucinante,às vezes,até brillhante,
deixa o povo que te aprecia
sair do mundo da ironia
e cair no da alegria.



Ao som de um samba
D'um mestre que é bamba
Seu corpo balança
E não se cansa
Sob o efeito de uma cana
Ganha numa gincana
P'ra arrecadar grana
Para Escola de Samba.








GENTE


II
-Família



Início da vida social:
na família.
Pequeno agrupamento
Que faz crescer conceitos
Dentro da gente.
Com ele,crescem também as censuras,
A repressão,
Não se consegue mais pensar por si próprio
Nem mesmo andar,pois o equilíbrio foi adulterado,
E a pobre da naturalidade,esquecida.




Os anos passam,
A consciência é aguçada
A inteligência cresce,
Vê-se melhor
Defronta-se com outros objetos,outros seres,outros e outras...
Ama-se. Odeia-se.
Passamos a ser donos de todos os sentimentos
Afastamos alguns,
Nos agarramos em outros.
Aquele pequeno agrupamento,tão valorizado pela igreja,
se enche de pó e bolor,
é corroído pela ferrugem,
nos trava,nos acorrenta,
E por mais alto que se peça, aos gritos
com sangue
com lágrimas;

Continua-se carregando o imperialismo que se viveu no ontem
E perpetua-se no agora,
Criamos neuroses,
Ficamos cegos, míopes,daltônicos
o palco está aceso,as cortinas abertas e nós no palco da vida.




Um dia,vislumbra-se a liberdade:
Deglagra-se a guerra;
Ao fim:ou a ruptura do modelo,do papel e mais uma borboleta voa
ou o mesmo...mesmo...mesmo....a mesmice...o mesmo...o mesmo................................






III

-Amiga-



Só.Perdida em sonhos.
Ilusões te povoam
Poucos se encaixam em tua pele
Escorrem por entre teus dedos.




Tu.Amas a vida,transcendes a morte.
Gostas de estruturas céreas
Brancas em meio à neve,
Felizes em meio a espinhos,
Perdidas no escuro,
Que tateiam o sim e o não.




Vai,caminha, pergunta a ti mesma,
ao sol,à chuva,à terra
se querem te dar fecundidade
Para gerar grãos de trigo,para fazeres pães
Para do nada surgir a imensidão
Para dos rios formarem-se oceanos.



Navega.Sem se deixar levar e naufragar
Leva contigo velas e remos,tripulantes.
Não te deixes abater pela falta do amor
do pai
da mãe, da família em geral.




Vai, amamenta o futuro,
Faze crescer o trigo,
Cuida para que o limoeiro floresça,
Dá vida à cêra
Ilumina o teu entorno.
Brilha pequena estrela-serás de primeira grandeza
Afasta de ti as nuvens que te encobrem
Digna-te a brilhar,
Brilha...





IV
(...............)


O UM se desdobrou em DOIS
DOIS se uniram para crescerem e decrescerem.
Se fez noite e dia
Que aquecia e esfriava a terra,
os opostos com seus derivados se uniram
e a Criatividade no seu fluxo trouxe o Caminho.




Do UM derivou o CINCO na lembrança:
o talhar na madeira
a arte através da plasticidade do corpo
o multiplicar dos bens através dos negócios;
alguns com um movimento
-ir de cá para lá, a evolução.




A estrela de CINCO pontas no céu e na terra.




Do outro,do DOIS,recordações de dois:
um,a expressão do palco coagulado pelo dinheiro no tempo
outro,dono e dirigente da estrutura,da forma:faz do estético e
do simples, a vida.




Todos em SETE,
no mágico caldeirão do UNO
fazem surgir da vida
mais uma forma de evolução:
a própria de um ser humano
que ama e é ético.






V
(...................)

Um belo par de flores
dentre belas flores aos pares
me observa...me olha....
um olhar escuro, um olhar negro
um olhar triste,um olhar brilhante
bastante vivo, repleto de faíscas.





Um belo par de flores
encravados ao acaso
em uma campina clara,suave
onde a monotonia foi destronada,
por alto monte ponteagudo
ligeiramente arqueado.
Alto monte ponteagudo,
Uma escarpa bastante íngreme,
Correntes de ar perigosas,
Um passo em falso,
Tibum...penetra-se no escuro e no irreconhecível.


Uma ilha seria a resposta
de um curioso em busca de solução para tal enigma.
Ao norte,a vegetação é escassa
a terra nua se cobre lentamente.
Adiante, densa mata,escura,negra
Ao sul, extensa península,
de uma beleza indescritível
ofuscada pela presença de um vulcão
que perfurma o ar
que esquenta o sol
que azeda o mar
que acidifica a chuva
que alimentou um dia a terra.




De leste a oeste
De sudeste a sudoeste
De nordeste a noroeste
Bela campina,
Coberta por sombras de dolorosos cactus
Filhos também da natureza
mãe das mães,
geradora de imensa beleza.




OS OPOSTOS

VI
(.................)


Meses se passaram...
A vida flui como uma torrente de água cristalina

Mil pessoas,
Mil gestos,
Mil coisas.
Todas,agora,sem sentido
Uma vez sentidas no corpo...
Concordo,a alma se ressente
Mas e a evolução?
Não, não há nada estático
Tudo é dinâmico
Dinâmico,de modo tal,
Que se sente a vibração do bem e do mal.

O céu, o inferno
A luz, a escuridão
O amor,o ódio
A paixão,o desamor.

Agora,defronto com pedaços de mim.
Quem sabe um dia...
Em meio a tantos desenganos
Encontre uma alma perdida
Que semeará
Um germe que fará florescer tudo:
Fazendo clarear a escuridão
Que paira sobre minha cabeça e meus ancestrais?
Aí,então,com minha inocência
Brincarei com as estrelas
com a lua
com o meu brilho interior
Consumando,assim, a Divina Vontade.







VII
-Antíteses-


Sinto fora uma leveza
No sol,no ar,no canto dos passarinhos.
Aqui dentro, o peso do lixo existencial,
na busca do nada,
na busca da tranquilidade,
onde a existência sem máscaras parece impossível.





A existência almejada,cheia de liberdade
enquanto a vivida é de um peso brutal
Com dores
Com alegrias
Com vivências
Com cegueira
Com amor
Com desamor...e assim vai...


Os opostos se degladiam dentro de mim
A paz se inquieta
A dor de não se saber para onde ir
Acabo por flutuar...ora sobre um mar revolto...ora sobre o mar sereno.
Por enquanto só observo este balançar:para lá e para cá
E a náusea não falta
Por enquanto, sou observadora e velejo...






VIII
(........................)

Caminho para uma só direção
O marrom e o amarelo existem numa só cor:o branco
O marrom gosta de música
O amarelo gosta do silêncio
Apesar do conflito entre música e silêncio,
No silêncio percebo algo melodioso
Que me penetra ouvidos adentro,
Parece que o universo se comunica
Com cada um de nós através de uma melodia
ÚNICA.




ENCONTROS COM O INCONSCIENTE


IX
- Saudades do mar -




Vazia cheguei
Encontrei pessoas
Nada semelhante,nada conhecido
A não ser o lugar e os objetivos
Caminhei para dentro
E olhei ao meu redor
Começaram-se as interações
Um olhar,uma palavra
Um sorriso. Uma conversa
Conhecimentos.Amores.
Entre um e outro caminhei
Parei de repente
O mar com suas ondas
Levemente me acariciava
Com seus olhos azuis,vivos
Maliciosos,
As espumas das ondas douradas pelo sol
Me abraçavam;
No inicio fugi,tive medo
O mar me aterrorizava
Pressentia algo.Algo que fortemente me machucava
Perguntava-me aonde.
Acordava arranhada,machucada
dolorida...presa a algo
de que fugia,fugia...
Estava escuro.Só a lua até aquele momento era a rainha,
Ao longe a via crescer,crescer
Se tornava luminosa,radiante
Sua luz me envolvia,me enebriava.
De repente,comecei a ouvir o silêncio
Tudo ficou vazio e deserto
Sob a luz da lua, uma réstia de luz no escuro,poderosos tentáculos
Mais uma vez o medo
Já era impossível fugir
Aceitei a violência do mar, cada vez mais revolto
Me entreguei à sua volúpia
Ainda tentei me agarrar às minhas inseguranças
Acabei por me abandonar...
O relógio do tempo fez correr a areia
Os portais foram se abrindo
Minha mente viajou
Não adiantaram os obstáculos,gente, livros
bichos,sorrisos de crianças,plantas,
coisas materiais ou o espiritual.
Me assustei com a semente que germinava dentro de mim
Suas raízes se aprofundavam
Penetravam no imo do meu ser
Me iluminavam e me transformavam
O mar se aquietou
E eu fui envolvida por ele
Agora,doce,suave e integrado a mim.
X
(.......................)
Conhecimento.É claro que travei contigo.Um acordo tácito,talvez
Sinto-te pulsar dentro de mim.Há horas,em que voo contigo para o
Universo,onde nada tem significado.Nada de palpável.Nada de comum com
o já conhecido e convencional.
Pulsações?Me pergunto,às vezes.Entro em transe?Tu brilhas,brilhas
mais do que o que a física chama de luz.Só que não és percebido por meios,que
as ciências que por aqui passaram não conseguiram nem definir e muito menos
explicar ou sentir.
Da vida,extraio sons,luminosidades e vibrações, jamais medidas ou aquilatadas
pelos órgãos sensoriais que me foram dados pela Mãe Natureza.
Sinto que tu provens,também,da Grande Mãe Natureza,Musa da Sapiência Universal, só que manifesto em natureza que chamo de sutil,nesta minha condição humana,aparentemente mais vibrátil.Tu estimulas a desfrutar e negar o meu próprio sentir animal e por milhões de vezes negaria a Eros a vitória, se Tanatos não me convidasse a me mergulhar,mais profundamente,em direção à escuridão do Hades. Eros é a porta para a Eternidade,plena de Luz.
Agora és Presente.Bem dentro de mim,sinto o Seu Pulsar,semelhante a um grito pungente neste insondável poço,meu próprio imo, a que dou um nome,não sei se adequado:Amor.
XI
- A Rebelião-
"Se entregar às forças.não conscientes
Cumprir um caminho traçado,cuja direção não entendo".
Isto me soa a teoria,ainda.
Não consigo me aquietar meu coração e te ouvir,Mãe Natureza.
A luta se trava no meu íntimo
A minha vontade interna se nega a aceitar este caminho.
Há uma rebelião como um mar em fúria
Querendo arrebentar e destruir tudo
Percebo,então, uma completa desconexão comigo e com a Mãe Natureza.
Falta-me a humildade para aceitar o que me mostras
A dor me dilacera internamente
A fúria toma conta de mim.
Preciso apascentar estas feras
Com as mãos vazias e o nada fazer.
Ainda luto com as tuas Leis.
A dor aumenta a cada segundo,
embora,saiba que ela é a grande facilitadora no meu processo de caminhar.
Não adianta lutar, a luta ,cada vez mais, traz mais dor;
preciso aceitar o efeito purificador da dor.
Não há como forjar um bom aço,sem fogo
e nem lapidar gemas,sem esmeril:
só assim serei vera jóia.
XII
(........................)
O Sol surge,
Faz resplandecer a alma
O meu ser rodopia
Num vórtice com tal velocidade
Que de tão estonteante,
Rompe correntes,
Explode pedras,
E como um Potente Vulcão de Luz
Ilumina o Tudo.
O Infinito ouve o Canto deste movimento;
Surgem sereias, o mar enlouquece
Bate com fúria nas pedras,
Que se transformam em areia,
Desaparecem as caudas das sereias,que repousavam nela.
De repente,tudo se aquieta
O tudo se transforma em nada...
O grande vazio...
E só o Sol por testemunha...
...aquecendo.




FIM



..........................

INTERMEZZO ....

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

ARISTÓTELES E O SILOGISMO

Aristóteles iniciou o estudo orgânico das regras básicas das regras da lógica,fixou com grande exatidão as regras da argumentação dedutiva,na forma do silogismo.


As oito regras do silogismo são:


1-Os termos devem ser apenas três;


2-Os termos devem ter a mesma extensão nas premissas e na conclusão;


3-O t.médio não deve ser incluído na coonclusão;


4-O t. médio deve ser tomado,ao menos uma vez,em toda sua extensão;


5-Duas premissas negativas não dão nenhuma conclusão;


6-De duas premissas afirmativas decorre necessariamente uma conclusão afirmativa;


7-Duas premissas particulares não dão nenhuma conclusão;


8-A conclusão acompanha sempre a parte mais débil,ou seja, se uma premissa é negativa decorre a conclusão negativa;se uma premissa é particular a conclusão será particular.
A proposição é um discurso declarativo que declara ou enuncia verbalmente o que foi pensado e relacionado pelo juízo.A proposição reúne ou separa verbalmente o que o juízo reuniu ou separou mentalmente.

O Silogismo consta de três proposições,das quais, as duas primeiras são chamadas "premissas" e a terceira "conclusão".

As três proposições são apenas construídas apenas com três termos, denominados:"médio", "maior" e "menor".O termo "médio" é o que aparece duas vezes nas premissas,mas não na conclusão.Os termos "maior" e "menor" figuram tanto nas premissas quanto na conclusão. O "maior" é aquele que percorre a premissa maior e o menor o que percorre a menor.

Por exemplo:No silogismo:"Todos os homens são racionais"

"Aristóteles é racional";

logo,"Aristóteles é homem"-

.o termo médio é "homem";

.o termo maior é "racional";

.o termo menor é Aristóteles.



Conforme a posição do termo médio nas premissas, atribuem-se ao silogismo quatro figuras principais:

a-1ª figura-ocorre quando o termo médio é sujeito da maior e predicado da

menor.



b-2ªfigura-quando o termo médio é predicado em ambas as premissas.



c-3ªfigura-quando o termo médio é sujeito é sujeito em ambas as premissas.



d-4ªfigura-Quando o termo médio é predicado na maior e sujeito na menor.



Isto compõe as chamadas: argumentação dedutiva e procedimento indutivo ou indução.

Indução ocorre quando uma proposição universal é inferida de dois grupos de proposições singulares como em:
a-o ferro é metal
b-o cobre é metal
c-o bronze é metal;(de a,b,c:a enumeração dos casos não pode ser completa)
Com o acréscimo de d-Os metais são bons condutores de eletricidade(aqui apreende-se a razão do fenômeno:"o metal é a razão da boa condutibilidade."

A importãncia do silogismo:"Aristóteles elaborou uma teoria do raciocínio por inferência"Inferir é tirar uma proposição como conclusão de uma outra ou de Ovárias outras proposições que a antecedem e são sua explicação ou sua causa.O raciocínio é uma operação do pensamento realizada por meio de juízos e enunciada linguística e logicamente pelas proposições encadeadas,formando um silogismo.Raciocínio e silogismo são operações mediatas de conhecimento,pois a inferência significa que só conhecemos alguma coisa(a conclusão da lógica,pois é a teoria das demonstrações ou das provas,da qual depende o pensamento científico e filosófico."

OBS:O aristotelismo da Renascença teve uma sorte feliz no campo da estética,desenvolvendo criticamente a doutrina da ´Poética de Aristóteles e divide-se em duas correntes: a naturalista,inspirando-se em Alexandre de Afrodisia e a panteísta,inspirando-se em Averroés.Ambas contrárias à interpretação tomista,cristã.

CITAÇÕES:

"natureza de um objeto é o produto final do processo de aperfeiçoamento desse objeto."

"A familia é a associação estabelecida por natureza para suprir as necessidades diárias dos homens e seus membros."

"o Estado é composto de famílias, antes de falar do Estado devemos falar da administração de uma família."

"A propriedade é parte de uma família e a aquisição de uma propriedade, parte da arte de dirigir uma família..."

"uma criatura viva consiste em primeiro lugar, de alma e corpo,e destes dois elementos;o primeiro é por natureza:o governante e o segundo, o governado."

"O silogismo é um razoamento em que dadas certas premissas, se extrai uma conclusão consequente e necessária, através das premissas dadas; o elenco é um silogismo acompanhado de contradição da conclusão."

"Há silogismos e elencos aparentes e falsos".

"A Sofística é uma sabedoria aparente e não real"

"O que os Sofistas preferem é, com efeito, parecer que refutam a outra parte; a seguir,mostrar que o opositor comete um erro qualquer,em terceiro lugar, induzi-lo ao paradoxo;em quarto lugar,reduzi-lo ao solecismo,quer dizer, obrigar o opositor,em virtude do seu próprio argumento, a usar de expressões incorretas;e, mas só por fim,levá-lo a repetir a mesma palavra uma e outra vez."

"Designo por elenco sofístico e por silogismo sofístico não apenas um silogismo ou um elenco que aparentam sê-lo,mas ainda o que, mesmo sendo-o deveras, só por aparência se ajusta ao sujeito de que trata."

"O objeto próprio da crítica são os silogismos que nem refutam nem demonstram a ignorância dos opositores,acerca do sujeito em debate."

"A crítica é uma parte da dialética."

"A Dialética procede por interrogações,enquanto,se demonstrasse, a interrogação se aplicaria,senão a tudo, pelo menos às noções primeiras e aos princípios peculiares à questão,porque, supondo que o respondente não as aceite, ela não teria nenhum fundamento para uma alongada discussão contra a objeção do opositor."

"A Dialética é ao mesmo tempo uma crítica,sendo uma disciplina que se pode conhecer,mesmo sem possuir a arte."

"...o que critica através da arte silogística é um dialético."

"Quase todos os solecismos aparentes provêm da palavra "isto" e também de quanto a inflexão não exprime nem o masculino nem o feminino mas o neutro."

O PROBLEMA DO MOVIMENTO,SEGUNDO ARISTÓTELES

"Ser não é apenas o que já existe,em ato;ser é também o que pode ser, a virtualidade,a potência....O movimento,segundo a teoria de Aristóteles,é a passagem da potência ao ato..."

"Mas Aristóteles não aceita a doutrina do transformismo universal,de pensadores pré - socráticos que apresentava todo o universo como animado por uma transformação contínua,por um único fluxo que interligava as várias espécies num mesmo processo evolutivo."

"Dentro da metafísica aristotélica, a doutrina do ato-potência acha-se estreitamente vinculada a determinada concepção de causalidade.Para Aristóteles o movimento existe circunscrito à substância que,cada qual,atualiza suas respectivas e limitadas potências:o movimento dura enquanto dura a virtualidade do ser,de cada ser, de cada natureza,cessando quando o ser expande suas potenciallidades e se atualiza plenamente"

"Para Aristóteles,causa é tudo que contribui para a realidade de um ser:é tanto a causa material (aquilo de que uma coisa é feita:o mármore de que é feita a estátua) quanto a causa formal(que define o objeto,distinguindo-o dos demais:estátua de homem,não de cavalo),como também a causa final(a idéia da estátua,existente como projeto na mente do escultor,e que o levou a talhar o bloco de mármore para dele fazer uma estátua de homem),como ainda a causa eficiente (o agente,no caso o escultor,aquele que faz o objeto,atualizando potencialidades de determinada matéria)A causa formal está intimamente ligada à final,pois seria sempre em vista de um fim que os seres(naturais ou artefeitos) são criados e se transformam: a finalidade é que determinaria o que os seres são ou vêm a ser."

"Concebe todo o universo como regido pela finalidade e torna os vários movimentos (atualiações das virtualidades de diferentes naturezas)independentes,sem fundi-los,todavia na continuidade de um único fluxo universal."

"Cada ser atualizaria suas virtualidades devido à ação de outro ser que,possuindo-as em ato,funcioona como motor daquela transformação."enos

"Haveria uma ação encadeada e hierarquizada dos vários motores, o mais atualizado,movimentando o menos atualizado."

"...o universo seria finito-num primeiro motor,este imóvel (para ser o primeiro), e que Aristóteles chama de Deus.Ato´puro,pois do contrário,se moveria...a matéria é a sede das potências-esse primeiro motor imóvel existiria como pensamento auto-contemplativo:como "um pensamento que se pensa a si próprio."

LÓGICA

Lógica é a ciência que estuda "o pensado enquanto pensado":estuda um objeto de pensamento(o pensado) enquanto objeto de pensamento(enquanto pensado) e não enquanto representação desta ou daquela coisa.

A lógica divide-se em três grandes ramos: lógica formal
lógica transcendental e
lógica matemática.
A lógica formal tem interesse pelas características das idéias e não seus
conteúdos.(elaborada por Aristóteles, aprofundada por Bacon)

A lógica trancendental trata da validade de nossos pensamentos:as condições às
quais eles devem sua possibilidade e verdade,e por isso,do modo peculiar de
ser do pensado enquanto pensado(elaborado por Kant)

A lógica matemática estabelece um conjunto de regras sobre as relações de certos termos entre si e depois procura determinar qual discurso seria possível,uma vez aceito tal conjunto de regras.Tal lógica é construída como um puro cálculo:sistema axiomático,com dedução de teoremas de poucos axiomas (enunciados primitivos válidos)-desenvolvida por Frege,Peano,Whitehead,Russel;Carnap,Quin,Church.

SÊNECA E O ESTOICISMO

Lucio Anneu Sêneca nasceu na província romana da Bética,atual Córdoba,na Espanha,provavelmente no ano 4 a.C. Córdoba recebeu sob o Reinado de Augusto o título de colônia romana,tendo ele adquirido os direitos de cidadão romano.Seu pai,homem bem preparado na área de escrever,rétor de renome,cohecido por ter escrito dez livros nos quais descorre sobre as formas de retórica de seu tempo.

Sêneca alcançou os mais altos postos dentro da administração romana.Parte para Roma,onde aprende retórica. Se devotou até o fim dos seus dias a persuadir,tocar,mover,convencer com seu discurso,com a força de sua palavra.Paralelamente, aos seus estudos, entra em contato com a filosofia.

Segundo Sêneca, o universo é constituído de dois princípios:um passivo,a matéria e um ativo,Deus.Este é a alma do universo,razão(logos) difundida em todas as coisas,fonte imanente da vida, lei suprema que liga numa única cadeia de causas todos os eventos e condiciona a unidade orgãnica do cosmos.

Sêneca,filósofo pagão, compreendeu o valor da liberdade como direito fundamental constitutivo de cada homem.A igualdade,para ele é um direito natural,assim como, o objetivo último da vida humana é a autonomia da pessoa perante os homens e os acontecimentos:é a liberdade do espírito diante de tudo o que pode profanar a divina serenidade do ânimo.

Ser filósofo ,para os estóicos, não é quem sabe construir sistemas, mas quem sabe viver e morrer de acordo com o seu sistema.Vida e sistemas de idéias devem sintonizar-se de modo perfeito, uma vez que Filosofia é sempre entendida como um todo.Ela só é dividida, para fins didáticos.

O fundador do Estoicismo foi Zenão de Cittium ou Pórtico das Pinturas,em Atenas.
O Estoicismo foi elaborado em uma época de profundas convulsões sociais e políticas marcadas pela ruína da pólis grega.
Uma das questões fundamentais que surge nesse período é a da felicidade individual, sem se dissociar da comunidade.Acentua a crença de que é impossível para o homem encontrar regra de conduta ou alcançar a felicidade sem se apoiar em uma concepção do universo determinado pela razão ou "logos".
O Estoicismo apanha e aprofunda as transformações de caráter "individualizante",o que torna a interioridade um aspecto marcante.Há uma tendência marcadamente ética.Os filósofos estóicos reconheceram que não se pode refletir sobre o "ético" sem fundamentá-lo na visão da natureza e do ser.
A Filosofia é constantemente comparada a um ser vivo,no qual os ossos e os nervos correspondem à Lógica,as partes carnosas à Ética e a alma à Física.
Em Roma, os filósofos estóicos transformar-se-ão em "diretores de consciência",com ênfase na práxis.Outra característica marcante da filosofia estóica no Império Romano:a busca pela autarquia.
Zenão e os estóicos procuram libertar-se do Destino trágico buscando fazer da vontade da sorte,a sua vontade, assim, o homem é libertado da idéia de uma dependência exteriorizada.
O fim moral de todas as escolas helenísticas é o de ensinar a ser feliz. A felicidade está na ataraxia(a imperturbabilidade do espírito).Zenão busca-a na apatia, na impassibilidade, na supressão de todas as paixões do ânimo, e em torno disto gira a grande importãncia da reflexão de Sêneca.

domingo, 1 de agosto de 2010

O DIREITO ROMANO-a partir do pensamento latino

O caráter pragmático,moral da filosofia grega teve influxo em Roma no ecletismo, no epicurismo e no estoicismo.
. O maior expoente do ecletismo romano foi Marco Túlio Cícero(106- 43a.C),jurista,homem político,literato e orador famoso.Ele resolve sua pouca intimidade com a filosofia através de uma forma de pragmatismo eclético,em que o critério da verdade é a utilidade moral.
O estoicismo romano se limita quase que exclusivamente aos problemas morais.A índole prática deste estoicismo,de profunda praxe ascética, de certa aceitação por parte da mentalidade prática, positiva,realista do romano.Têm personalidade própria,aí,Epícleto,Marco Aurélio e Sêneca,este,é o maior,como pensador,moralista e autor epigramático.
Se a obra universal e imperecível da Grécia foi a filosofia; em Roma,foi o Direito:o romano tinha uma índole prática.
O Direito Romano teve sua sistematização no "corpus juris",no código justiniano,que representa a conclusão de um longo desenvolvimento,partido de um primordial germe jurídico.Tal germe, surgiu na família, espalhou-se através da cidade e do estado.
Do direito civil levantou-se até o direito internacional(das gentes) e até o direito natural,a que a filosofia chega pelas vias da razão.
A educação romana se inspirou nos ideais práticos e sociais.
De Sebastião Geraldo de Oliveira:
"Finalidade do Direito:A convivência do homem com seu semelhante exigiu a fixação de limites e regras para alcançar a coexistência pacífica,com 'prerrogativas,deveres e obrigações para todos os membros da sociedade.O homem não vive só,isoladamente,já que é gregário por natureza e busca intintivamente a vida em sociedade.
O Direito é,portanto,um fenômeno social,pois está ligado à sociedade,como já asseverava o vetusto brocardo:"Ubi societas,ibi jus".
Maria Helena Diniz diz que a norma jurídica vive,necessariamente,...vinculada a uma determinada realidade social:a norma jurídica é a 'coluna vertebral' do corpo social.
Ensina o saudoso Pontes de Miranda que,"no fundo, a função social do direito é dar valores a interesses,a bens da vida,e regular-lhes a distribuição entre os homens"
A experiência histórica demonstra a inevitabilidade da ordem jurídica, para permitir a convivência humana, o que Miguel Reale coloca como postulado de ordem prática.O Direito assegura a estabilidade nas relações sociais e garante os valores fundamentais da segurança e da Justiça com vistas ao bem comum...O Direito procura o acesso efetivo aos valores jurídicos.Além da paz,são valores essenciais,na moderna consciência jurídica do mundo ocidental,a justiça,a segurança,a ordem,um certo tipo de liberdade humana.(...)A tutela jurídica,enquanto efetividade do gozo dos direitos,supõe a vigência de todos os valores jurídicos harmoniosamente combinados entre si.
Além do estabelecimento de regras de conduta, O Direito tem finalidade mais abrangente e enobrecedora:visa ao próprio aprimoramento humano e por consequência da sociedade...o Direito atua, também, como agente de transformação,influenciando os comportamentos sociais,numa singular interação:ao mesmo tempo em que é condicionado pela realidade social,também atua como condicionante desta.
No mesmo sentido,aponta Miguel Reale,"não raro,o legislador antecipa-se aos fatos sociais;precipita processos ainda em evolução,norteando,desse modo, os acontecimentos."
Assinala,ainda,Miranda Rosa as funções educativa,conservadora e transformadora do Direito.A função educativa,conservadora e transformadora do Direito.A função educativa "molda as opiniões sociais e portanto o comportamento grupal, por meio de um processo de aprendizado e de convencimento de que é socialmente útil,ou bom,agir de certo modo."Na função conservadora, o Direito assegura a ordem, garantindo a estrutura das instituições e das convicções dominantes na sociedade.Por fim, a função transformadora"resulta em modificações na sociedade,alterando-lhe o sistema de controle social e, diretamente, a relação de influências recíprocas dos diversos elementos condicionantes da vida grupal" "

UM PASSEIO COM SANTO AGOSTINHO...

"Conservara,porém destes filósofos muitas opiniões verdadeiras..."
"Conferia tudo com as declarações de Manés(Maniqueu ou Mâni)..."
"...antepunha a autoridade de Manés à minha fé porque o tinha na conta de santo."
"Durante...período de nove anos,...era seduzido e seduzia,era enganado e enganava:às claras, com as ciências a que chamam liberais, e às ocultas,sob o falso nome de religião."
"...as coisas caminham para não existirem e dilaceram a alma com desejos pestilenciais,porque ela quer existir e gosta de descansar no que ama"
"A sensibilidade é vagarosa porque é sensibilidade.Tal é a sua condição."
"O Todo-Poderoso,ainda não via na vossa arte o fulcro de tão grandes obras.O meu espírito errava pelas formas corpóreas"
"Voltei-me,depois,para a natureza da alma,...mas as falsas opiniões que tinha dos seres espirituais não me deixavam vislumbrar a verdade."
"Se a própria alma racional é viciosa, os erros e as falsas opiniões contaminam a vida"
"...ó Senhor,tocastes e dispusestes, a pouco e pouco, a minha alma..."
"...convencestes - me de que não eram dignos de censura os que acreditavam nos vossos Livros,reconhecidos com tanta autoridade em quase todos os povos."
"Enquanto os ventos alternavam e impeliam o meu coração para um e outro lado,o tempo fugia e eu tardava em converter-me ao Senhor."
"Não tinha uma idéia clara e nítida da causa do mal."
"Buscava a origem do mal,mas buscava-o erroneamente...ou existe o mal que tememos ou esse temor é o mal...Qual a sua origem, se Deus que é bom, fez todas as coisas?"
"Estava arraigada no meu coração a fé em "Jesus Cristo,Vosso Filho","Senhor Salvador Nosso,professada pela Igreja Católica."
"Quem conhece a Verdade conhece a Luz Imutável,e quem a conhece,conhece a Eternidade.O Amor conhece-a! Ó Verdade eterna,Amor Verdadeiro,Eternidade adorável! Vós sois o meu Deus!Por Vós suspiro noite e dia."
"...como se ouvisse a Vossa voz lá do alto:Sou o pão dos fortes; cresce e comer-Me-ás.Não Me transformarás em ti como ao alimento da tua carne,mas mudar-te-ás em Mim."
"Examinei todas as coisas que estão abaixo de Vós e vi que nem existem absolutamente,nem totalmente deixam de existir...Por um lado existem, pois provem de Vós;por outro não existem,pois não são aquilo que Vós sois."
"Em absoluto, o mal não existe nem para Vós nem para as vossas criaturas, pois nenhuma coisa há fora de Vós que se revolte ou que desmanche a ordem que lhe estabelecestes."
"Vi que tudo acaba em Vós...Vos sois Aquele que tudo conserva na Verdade,como se tudo sustivésseis na palma da mão."
"Era arrebatado para Vós´pela Vossa Beleza, e logo arrancado de Vós,pelo meu peso, para me despenhar,a gemer, sobre as ínfimas criaturas.Este peso eram os hábitos da luxúria."
"Como possuía pouca humildade,não compreendia que JESUS, o meu Deus,fosse humilde,nem alcançava de que ensinamentos fosse mestra a sua fraqueza."
"O Verbo se fez homem.Simplesmente pelos escritos que d'Ele tratavam sabia que comeu,bebeu,dormiu,fez caminhadas,regozijou-se,entristeceu-se,conversou,e que aquela carne não se tinha unido ao vosso Verbo senão pela alma e inteligência humana"
"A carne tem desejos contra o espírito, eo espírito tem-nos contra a carne e no espírito."
"Deleitava-me com a Vossa Lei segundo o homem interior, mas em vão,porque em meus membros outra lei repugnava à lei do meu espírito, e me mantinha cativo na lei do pecado que está em meus membros."
"...não só o ir ao céu,mas também o atingi-lo não são mais que o querer ir,mas um querer forte e total,não uma vontade tíbia que anda e desanda daqui para ali, que luta consigo mesma, erguendo-se num lado e caindo no outro."
"Quando eu deliberava servir já o Senhor meu Deus,como há muito tempo tinha proposto,era eu o que queria e era eu o que não queria;era eu mesmo."
"Mas onde esteve durante tantos anos o meu livre-arbítrio?"
"Quão suave se me tornou de repente carecer de delícias fúteis!Receava perdê-las, e agora já sentia prazer em abandoná-las!Vós, a verdadeira e suprema Suavidade,as afastáveis de mim."
"Quantas exclamações proferia na leitura desses salmos e como me inflamava com eles,no Vosso amor, desejando ardentemente recitá-los a toda a terra,se me fosse possível,para rebater o orgulho do gênero humano!"
"Consumia--me de dor por causa dos inimigos da Escritura."
"Suponhamos então que Deus sozinho fala, não por essas criaturas,mas diretamente, de modo a ouvirmos a sua palavra, não pronunciada por uma lingua corpórea,nem por voz de anjo, nem pelo estrondo do trovão, nem por metáforas enigmáticas,mas já por Ele mesmo."
"Suponhamos que ouvíamos Aquele que amamos nas criaturas, mas sem o intermédio delas, assim como nós acabamos de experimentar, atingindo num relance de pensamento, a Eterna Sabedoria,que permanece imutável sobre todos os seres .Se esta contemplação se continuasse e se todas as outras visões de ordem muito inferior cessassem,se unicamente esta arrebatasse a alma e este vislumbre intuitivo, pelo qual suspiramos:não seria isto a realização do "entra no gozo do teu Senhor"?E quando sucederá isto? Será quando todos "ressucitarmos"?
Mas então não "seremos todos transformados"?
(do "Confissões")